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Corpo foi achado no último domingo (7) na Ponta Negra e o IML aponta que a causa foi afogamento. Entretanto, parentes afirmam que a travesti foi morta por uso de violência.

Causa da morte de travesti encontrada sem os olhos é contestada por familiares

As imagens são chocantes. Encontrada sem os olhos e com o rosto desfigurado, a travesti com nome civil de Gabriel Ramos de Menezes, de 19 anos, teve o corpo achado na praia da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, no último domingo (7). Exame preliminar do Instituto Médico Legal (IML) aponta que a morte foi por afogamento, porém, familiares contestam. Eles não souberam informar o nome social da vítima
“Começou a aparecer um monte de histórias. De que ele andava com gente mal vista. Achamos que ele não morreu afogado, e sim por inveja ou homofobia”, disse a tia da vítima, Thainara Sales, de 26 anos, que trata a travesti no masculino. O corpo segue no IML desde então à espera de novos exames periciais.
Os parentes souberam da morte pelas redes sociais. Nelas, várias fotos da vítima já em óbito foram compartilhadas. Entretanto, não se sabe o motivo do crime, sobretudo quem possa tê-lo cometido. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) informa não ter recebido nada sobre o caso até o momento.
Segundo a tia, Thainara, a travesti morava com uma amiga, de identidade desconhecida. Antes, ela havia morado com o pai e os tios numa residência no bairro Compensa, na Zona Oeste, após a mãe ter morrido de câncer.
Conforme a tia, a travesti havia decidido sair da casa do pai e dos tios na Compensa após ter se tornado maior de idade. Foi quando passou a morar com a amiga. Thainara não soube informar a identidade dessa pessoa, nem qual a relação das duas. “Ele queria expandir, conhecer coisas novas”, disse Thainara, negando que a travesti tivesse envolvimento com o crime.
Thainara afirma que a aceitação da transexualidade da vítima pela família era ótima, e que ela permaneceu acolhida desde o nascimento. “Quando a minha irmã se juntou com pai dele, ele vinha bastante. No momento que ele se assumiu, sempre foi bem recebido. Nosso amor era enorme”, disse a tia, ainda se referindo à travesti no gênero masculino.
A travesti trabalhava em um restaurante e realizava diversos “bicos”, ajudando o pai sempre que possível. “O pai dele teve um infarto no ano passado, mas ele nunca deixou de vir visitá-lo. Eles nunca tiveram uma briga nem nada parecido”.
Thainara, negando que a travesti tivesse envolvimento com o crime.
Thainara afirma que a aceitação da transexualidade da vítima pela família era ótima, e que ela permaneceu acolhida desde o nascimento. “Quando a minha irmã se juntou com pai dele, ele vinha bastante. No momento que ele se assumiu, sempre foi bem recebido. Nosso amor era enorme”, disse a tia, ainda se referindo à travesti no gênero masculino.
A travesti trabalhava em um restaurante e realizava diversos “bicos”, ajudando o pai sempre que possível. “O pai dele teve um infarto no ano passado, mas ele nunca deixou de vir visitá-lo. Eles nunca tiveram uma briga nem nada parecido”.

Suspeita de violência
A tia explica o processo de transformação da travesti. “Ele tinha o ‘nome de guerra’ que era Biel Alves. Ele queria ter outra identidade”, disse. Em pouco tempo ela se transformou. Pintou de vermelho os cabelos grandes e passou a usar roupas femininas. Segundo Thainara, tudo era tratado de forma natural pela família. “Vimos ele assim pela primeira vez quando ele postou uma foto e se caracterizou de trans pra uma passeata LGBT. O jeito dele sempre foi feminino, mas era algo normal pra gente”, disse ela.
Apesar dos parentes não terem informações sobre o que pode ter causado a morte, eles têm certeza que o caso envolve violência devido ao estado desfigurado com que o corpo foi encontrado. A dúvida seria se o caso realmente envolve homofobia ou alguma briga “causada por inveja”.
Segundo Thainara, pessoas ligadas à travesti afirmam que ela estaria acompanhada de “pessoas mal vistas”. Nenhuma das versões começou a ser investigada pela polícia porque o crime foi dado como afogamento pelas autoridades.
A tia, Thainara, conta ainda que o IML informou, inicialmente, sobre a possibilidade de peixes do rio Negro terem devorado os olhos de Gabriel. A família acredita que há outros motivos. “Não foi só o afogamento, teve algo mais. Como muita gente falou, um ‘candiru’ (espécie de peixe) não ia fazer o estrago que fez nos olhos dele”.
IML realiza laudo
O IML informou que um laudo final sobre a morte da travesti deve ser liberado em 30 dias. Até o momento, um exame preliminar reforça que o óbito foi causado por afogamento. A Defensoria Pública do Estado (DPE) tem auxiliado a família para a liberação do corpo, que ainda não possui registro civil.
Enquanto isso, os parentes esperam explicações sobre o caso, principalmente para registrar o crime como homicídio. “Não tem como dizer que ele procurou propositalmente. Gabriel era uma pessoa muito boa, que passava muita força pra gente. Ele fez amizade por todo canto que ele ia”.

Fonte: Oswaldo Neto
acritica/Manaus (AM)

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