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Multiesportista, Iasmin Freitas treina, em média, três horas por dia para a escalada esportiva: tudo custeado pela família (Foto: Carlos Vieira/CB/D).

Brasiliense Iasmin Freitas vai disputar Mundial Juvenil de escalada na Itália

Atleta busca mais apoio para a prática da escalada, que foi incluída nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020

A escalada fará parte, pela primeira vez, da programação dos Jogos Olímpicos, em 2020. Mas a rota dos atletas brasileiros a Tóquio não será fácil, pois o país carece de estruturas fundamentais para a práticadamodalidade.E, em meio às dificuldades de encontrar centros de treinamentos adequados, a brasiliense Iasmim Freitas, de 16 anos, foi convocada pela Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE) para disputar o Campeonato Mundial Juvenil, entre 22 e 31 de agosto, em Arco, na Itália.

Tudo começou há três anos, em um momento de distração para a rotina pesada de treinos. Na época, Iasmim praticava saltos ornamentais no Centro Olímpico da UnB. Por incentivo da irmã mais velha, encontrou, na escalada, uma possibilidade de desestressar. A jovem de 16 anos — que também já foi atleta de alto rendimento em ginástica artística no Centro de Ensino Médio Setor Leste e na Asbac, além de participar de corridas e possuir um currículo extenso de bons desempenhos em competições oficiais — decidiu abandonar os outros
esportes e se dedicar à escalada. “Ela leva a sério até demais tudo o que ela faz e é muito compromissada. Por isso, ela sempre se destaca”, comentou a mãe da esportista, Rosane Queiroz.

Com seis meses de treino, Iasmim venceu o primeiro Campeonato Brasileiro de Boulder Juvenil Feminino (modalidade de escalada em rocha — ou em parede que simula tal terreno — com o mínimo de equipamentos de segurança). Desde então, ela começou a participar de competições pelo país. Mas os bons resultados da atleta brasiliense contrastam com a falta de apoio e estrutura. “A única ajuda que temos, hoje, é das academias. Agora, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) decidiu contribuir. Então, pela primeira vez, montou uma seleção juvenil para disputar o Mundial. Antes era tudo custeado pela família”, apontou o pai de Iasmim, André Luiz Freitas.

Além disso, a brasiliense não possui treinador fixo ou acompanhamento com especialistas na área esportiva. “Se você quer formar um atleta de alto rendimento de verdade, você tem que investir de verdade. Na maioria das vezes, ela treina por conta própria. Não tem suporte de nutricionistas, psicólogos ou preparador físico”, ressaltou André.

Falta lugar

Outro desafio enfrentado pelos competidores de escalada é a falta de lugares para treinar, pois a modalidade, recentemente incluída nos Jogos Olímpicos, é uma combinação de três estilos in door (em locais fechados), com paredes e rotas diferentes. São eles: velocidade, dificuldade (lead) e bloco (boulder). As classificações no torneio são determinadas pelo resultado combinado das provas.

“Faz apenas um ano que foi montada uma parede de velocidade em Curitiba, e isso porque os alunos compraram as garras. Recentemente, construíram uma de velocidade em São Paulo. Em Brasília, há apenas uma modalidade, a boulder, mas o índice olímpico é a soma de três, e ela só treina as duas outras em competição, no local da disputa. Se ela tivesse como treinar, eu tenho certeza de que teria desempenhos ainda melhores”, desabafou o pai da escaladora.
Em busca do progresso de Iasmim na modalidade, Rosane e André bancam a filha. “Ela conseguiu treinar, neste ano, em uma parede de velocidade porque eu a levei para São Paulo e Curitiba. Nós também compramos as agarras para montar ao menos um pedaço da parede e ela treinar a saída. Além de despesas com viagens e hospedagens para disputar competições”, apontou a mãe. O investimento em Iasmim, nos últimos três anos, ultrapassa R$ 300 mil. Boa parte do valor é gasto, por exemplo, em viagens. No ano passado, a jovem participou do Mundial da modalidade na Rússia. “Como foi um convite, foi tudo por nossa conta e gastamos cerca de R$ 30 mil”, contou André.

Devido aos bons índices em provas, Iasmim Freitas foi convocada pela ABEE, que vai custear as despesas da atleta no torneio em Arco, na Itália. “Eu acho que, em nível mundial, o Brasil ainda está muito atrás. Por isso, eu costumo ficar bem nervosa, mas também estou muito ansiosa. Para este campeonato, eu quero ir bem, mas prefiro não estabelecer uma meta”, disse Iasmin.

De acordo com brasiliense, as provas da escalada exigem a interpretação do atleta de qual será o melhor caminho a ser feito. Outro desafio, em uma competição em alturas, é o medo de cair. “Às vezes, você olha para a parede e fica perdida, pois temmuita coisa para ver, interpretar. Eu tenho muito medo de cair quando há um movimento longo. Mas ter medo de cair pode atrapalhar. Não é um medo que paralisa, até por que tem equipamentos de segurança. Sempre lembro que não vou me machucar, porque eu sei que eu estou segura”, observou Iasmin.

A brasiliense de 16 anos treina, em média, durante três horas por dia, de segunda a sextafeira, em parceria com as academias Escalada Primata e UBT. E, neste semestre, vai conciliar com a graduação em química tecnológica, na UnB. A atleta, que cursava o segundo ano do ensino médio, conseguiu liberação na Justiça, devido às boas notas e altas habilidades, para iniciar a faculdade.

Os resultados ainda demoram um pouco, diz dirigente

Anderson Gouveia é gerente das seleções adultas e juvenis da ABEE e viajará com Iasmim para Itália. Apesar da esperança de profissionalização da escalada a partir da inserção do esporte nas Olimpíadas, o gestor projeta resultados expressivos apenas a longo prazo. “O Brasil ainda está muito atrás dos times da Europa e da Ásia. Então, a gente ainda não tem muitas possibilidades de vagas olímpicas ou título mundial. É por isso que estamos investindo em seleções juvenis para daqui oito anos começarmos a ter resultados”, apontou.

De acordo com ele, a falta de projeção da Seleção Brasileira de escalada em Tóquio 2020 se deve ao número de vaga limitadas. “São apenas 20 para o mundo inteiro, e as vagas são por índices dos atletas e não por países. Como é um esporte de demonstração, era preciso restringir para mostrar um nível maior nas Olimpíadas do ano que vem”, explicou.

O gerente de seleções da ABEE explicou que há um projeto em parceria com o COB para a construção de um centro de treinamento no Rio de Janeiro. “Vai ser importante para ter um lugar com a estrutura completa, com um laboratório olímpico, onde vamos conseguir oferecer mais apoio ao atleta e haverá mais estudos sobre a modalidade”.

Veremos em Tóquio
Três disciplinas formarão a disputa da escalada esportiva nos Jogos Olímpicos de 2020. Os atletas competirão nas três e a classificação final virá dos resultados combinados.

» Escalada em velocidade
Dois competidores seguram cordas de segurança e tentam escalar uma parede de 15m de altura, posicionada em um ângulo de 95 graus. Ganha quem chegar primeiro. Os tempos de vitórias para os eventos masculinos tendem a ser em torno da marca de cinco a seis segundos, enquanto os eventos das mulheres são geralmente ganhos em cerca de sete ou oito segundos.

» Boulder
Os competidores escalam o máximo que podem de rotas fixas em uma parede de quatro metros em um intervalo de quatro minutos. As rotas variam em dificuldade. As paredes usadas para boulder apresentam uma série de desafios, com saliências e contenções.

» Dificuldade
Os atletas têm seis minutos para subir o mais alto que podem em uma parede de mais de 15m de altura. Os escaladores usam cordas de segurança e a prendem a equipamentos que lhe permitem correr livremente, enquanto conduz o atleta ao longo da rota. O percurso é finalizado quando um alpinista prende a corda no topo. Se um competidor cair, a altura atingida é registrada e não há outras tentativas. Se dois ou mais atletas completarem a subida ou atingirem exatamente a mesma altura, o mais rápido a fazê-lo é declarado vencedo

Fonte:Mariana Fraga

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