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Daniel sente falta do amigo Rykelmo, que perdeu a vida no incêndio do Ninho do Urubu. E pretende homenageá-lo com o título (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

Conheça Daniel Cabral: o carioca que dita o ritmo do meio campo do Brasil

Volante do Flamengo é fã de Casemiro e quase esteve no alojamento rubro-negro no dia da tragédia

Daniel Cabral de Oliveira tinha apenas um mês e 16 dias de vida quando o Brasil ganhou o pentacampeonato Mundial, na Copa de 2002. Dezessete anos depois, tem a possibilidade de obter um triunfo semelhante, e como titular da Seleção Brasileira sub-17. O primeiro passo rumo à taça é amanhã, nas oitavas de final, contra o traiçoeiro Chile, às 20h, no Estádio Bezerrão, no Gama. E o volante tem uma função nevrálgica: é quem destrói as jogadas dos adversários e dita o ritmo da armação ofensiva do Brasil.
O carioca Daniel é atleta do Flamengo desde os sete anos. Passou do futsal para o campo aos 10 anos, de onde não saiu mais. Nascido na Baixada Fluminense, foi criado no ritmo do samba e do pagode. “É da minha raiz, meus parentes gostam muito. E juntou com futebol… Jogador que não gosta de pagode não existe. Antes do jogo, a gente faz uma resenha maneira com os instrumentos no ônibus. Eu não toco nada, fico só no vocal”, confessa.
Além de comandar a batucada na concentração, Daniel é o jogador da troca de posse de bola: rouba dos adversários e inicia as jogadas brasileiras. Indagado sobre sua função, e em quem se espelha, foi direto: Casemiro.
“É um grande jogador, um volante excelente e eu me inspiro nele. Consigo ser um pouco parecido, igual não. Ele está muito acima. Estou começando agora e espero chegar ao mesmo patamar dele”, projeta. Como o técnico Guilherme Della Dea deixou claro que observa Tite para montar a equipe sub-17, nada mais natural que Daniel seja o primeiro volante marcador da seleção, assim como Casemiro é na principal.
Quase vítima do Ninho
A tragédia no Ninho do Urubu, que matou 10 jovens em 8 de fevereiro deste ano, ainda é um pesadelo para Daniel. Na época, o volante morava em Mesquita, na Baixada Fluminense, bem distante de onde era o centro de treinamento no Flamengo — por isso passava a semana no alojamento e ia para casa nos sábados e domingos. O volante havia sido convocado para a Seleção Brasileira para o Sul-Americano da categoria, com apresentação no exato dia da tragédia. Treinou e permaneceu no CT até a tarde do dia anterior, quando voltou para casa para arrumar as malas e se apresentar à seleção. Na madrugada, aconteceu o incêndio.
“Não tem como esquecer. Foi um momento muito complicado para todos, principalmente para nós, atletas do Flamengo. Sei que poderia ser eu. Me apresentei muito abalado para o Sul-Americano sub-17”, relembra, entristecido.
Dos amigos que perdeu no incêndio, Daniel sente a falta de Rykelmo, a quem considerava um irmão. “Ele dormia na parte de cima do beliche e eu na debaixo. Também morava longe do CT e passava os fins de semana lá em casa. A gente ia para praia, estava sempre junto. Foi horrível, mas fico feliz por poder estar hoje na seleção, que era um sonho dele. Agora não corro só por mim: corro por ele, pela família dele e pelos sonhos de todos que se foram e não puderam correr atrás dos seus”, disse, cabisbaixo.
Perguntado sobre uma possível homenagem em caso de título, Daniel afirmou fará algo especial: “Levo o nome dele na minha chuteira, sempre carrego Rykelmo nos meus pensamentos e na minha memória. Tento levar o futebol dele, muito aguerrido, para dentro de campo e representá-lo sempre. Se formos campeões, com certeza vou dedicar a ele”.
Um jogo perigoso
Com os 11 definidos para encarar o Chile, o técnico Della Dea não escondeu o time no treinamento de ontem, no Abadião. Sem Yan, suspenso, Gustavo Garcia será o titular na lateral direita. No meio campo, as boas atuações de Diego Rosa o credenciaram para a vaga de Talles Costa.
O time que bateu a Angola por 2 x 0 deve ser o mesmo contra o Chile: Matheus Donelli; Gustavo Garcia, Henri, Luan Patrick e Patryck; Daniel Cabral, Diego Rosa e João Peglow; Talles Magno, Kaio Jorge e Gabriel Veron.
A seleção chilena foi vice-campeã do Sul-Americano, no início do ano. Mas em dois amistosos, em agosto, o Brasil venceu por 2 x 1, com gols de Reinier — dispensado da seleção —, e Peglow; e 3 x 1, com dois de Reinier e um de Veron.
Oitavas de final
Brasil x Chile
Local: Estádio Bezerrão, Gama-DF
Horário: 20h
Ingressos para a partida estão sendo vendidos na bilheteria do Bezerrão
E no site: www.fifa.com/tickets
Fonte:João Romariz*

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