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O presidente Jair Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada Foto: Jorge William / Agência O Globo

Bolsonaro diz que conversará com Ernesto Araújo sobre pedido de explicações do Irã

Presidente reafirma repúdio ao terrorismo ‘em qualquer lugar do mundo’, mas ressalta que pretende manter comércio com o país persa


Presidente reafirma repúdio ao terrorismo ‘em qualquer lugar do mundo’, mas ressalta que pretende manter comércio com o país persa
BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que irá conversar com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para decidir o que fazer após o Irã pedir explicações à diplomacia brasileira sobre o posicionamento do Brasil frente aos acontecimentos, no Iraque, que culminaram com a morte do general iraniano Qassem Soleimani. Bolsonaro reafirmou repúdio ao terrorismo “em qualquer lugar do mundo” e disse que pretende manter comércio com o país persa.

— Estou aguardando o que haverá após essa convocação aí. Nós repudiamos terrorismo em qualquer lugar do mundo e ponto final — disse Bolsonaro, ao deixar o Palácio da Alvorada.
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Como reação ao episódio, o Itamaraty divulgou uma nota, na última sexta-feira, respaldando indiretamente o assassinato do militar pelos Estados Unidos. O órgão condenou várias vezes o terrorismo e, sem citar nomes, usou uma linguagem diplomática para demonstrar que, para o governo brasileiro, o general iraniano e a própria Guarda Revolucionária poderiam ser classificados como terroristas.
Como o embaixador do Brasil naquele país, Rodrigo Azeredo, está de férias, a encarregada de negócios da embaixada, Maria Cristina Lopes, representou o governo brasileiro na reunião no Ministério das Relações Exteriores iraniano. O encontro foi confirmado pelo Itamaraty, mas o teor da conversa não foi revelado.
Ao ser questionado novamente sobre o assunto, o presidente disse que antes de comentar irá conversar com Araújo:
— O Ernesto está fora do Brasil. Chegando aqui, vou conversar com ele. Eu costumo não conversar sobre certos assuntos sem antes ouvir o respectivo ministro.
Sobre a possibilidade do Brasil tomar atitude semelhante com o Irã, respondeu:
— Temos comércio com Irã e vamos continuar nesse comércio.
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Bolsonaro não revelou detalhes da conversa da encarregada de negócios com a Chancelaria iraniana:
— Se tivesse recebido, não ia falar, com todo respeito a você. Tem certas coisas que eu não posso falar, que a imprensa atrapalha. Eu não posso ter uma agenda aberta. Eu decido questões de interesse nacional que, se eu tornar público, interfere na Bolsa, por exemplo. Me reservo o direito de estadista, de presidente do Brasil, de não discutir esse assunto. Eu quero saber uma coisa: o Irã adotou alguma medida contra nós? Eu acho que não.
Bolsonaro também não quis comentar sua declaração, na segunda-feira, de que Soleimani não era um general:
— General? Não, não, isso daí…Mais alguma pergunta aí?
O presidente igualmente não revelou se trataria do assunto na reunião marcada com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, na manhã desta terça.
— Tenho uma amizade, conheço o Fernando desde 1974. Discutimos tudo. Nós só não dormimos junto. O resto…

Fonte: Daniel Gullino/Globo

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